Pai e madrasta de Gustavo Veloso são presos
A investigação da morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, revelou um histórico de supostas agressões que antecede o crime em pelo menos dois anos. Segundo o delegado Eduardo Menezes, vídeos gravados pela mãe, Sabrina da Silva Feitosa, mostram o garoto “nitidamente dopado” após passar um período na casa do pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza.
“Há vídeos dessa criança chegando machucada das visitas desde 2024. Há vídeos dessa criança nitidamente dopada, chegando das visitas. Há registro fotográfico de lesões. Então, nós estamos falando de um histórico de violência que não começou agora”, afirmou o delegado.
Os pais do menino não moravam juntos e viviam disputas judiciais. Segundo Sabrina, o menino retornava das visitas ao pai com pequenos arranhões e outras lesões desde 2024. Ela denunciou o ex por ameaça quando Gustavo tinha apenas oito meses de vida.
Nesta quinta-feira (6), Igor Gustavo e a companheira dele, Kathellen Moreira, foram presos preventivamente. Os dois vão responder, inicialmente, por homicídio duplamente qualificado e tortura. As informações foram detalhadas durante uma coletiva de imprensa. O delegado contou que o menino morreu no domingo (2), mas o pai só relatou a morte por suposto afogamento na tarde de segunda-feira (3).
Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsAppO laudo pericial ao qual o g1 teve acesso afirma que a morte de Gustavo ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”. A criança sofreu hemorragia interna e apresentava marcas de agressões pela face e laceração intestinal.
A defesa não comentou o caso específico de Kathellen Moreira. Sobre Igor Gustavo, foi argumentado que ele colaborou com as autoridades desde o início, colocando-se à disposição e combinando previamente sua entrega após o mandado de prisão. A defesa ressalta que não houve captura após buscas, mas sim cumprimento acordado da ordem judicial, e informa que não comentará detalhes do caso devido ao sigilo das investigações (veja nota abaixo).
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Reprodução/Redes Sociais
Histórico de agressões
De acordo com o delegado, o histórico de violência começou a ser reconstruído a partir do depoimento de Sabrina, ouvida poucas horas após a descoberta da morte. Ela relatou à polícia que tinha uma relação conturbada com o ex-companheiro desde a gravidez.
A polícia também analisa imagens gravadas pela mãe nos meses que antecederam o crime. Segundo Eduardo Menezes, os vídeos mostram situações que chamaram a atenção dos investigadores. Entre elas, registros em que o menino aparece com comportamento considerado atípico para a idade logo após retornar da casa do pai.
As gravações passaram a integrar o inquérito e estão sendo analisadas pelos investigadores. Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe contou que o filho ia visitar o pai e voltava para casa com hematomas. Em um vídeo, o menino chora ao recusar ir para a casa de Igor.
“Mostrei as fotos e ele falava que o menino tinha caído. Ele tinha todo um argumento dele. Mandei o vídeo para ele, falando que não era certo, porque o meu filho estava daquele jeito. Não é certo. Toda vez que ele [filho] vê ou escuta a voz, ele fica com medo e agora ele está falando que ele [o pai] bate nele. Ele [pai] falou: ‘De novo essa história’”, disse.
Advogados de Sabrina informaram que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.
“Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento”, disse a advogada Stella Bueno.
Morte violenta
O diretor do IML, Eduardo Godinho, comentou que o estado em que a criança chegou ao IML é incomum. “Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte”, afirmou.
O delegado afirmou que os elementos reunidos até esta quinta-feira (6) evidenciam que as graves lesões encontradas na região anal e intestinal da criança ocorreram em um contexto de violência extrema e foram usadas como instrumento de tortura.
Conforme Menezes, a suspeita de violência sexual não foi totalmente descartada e ressaltou que a tipificação dos crimes ainda poderá ser alterada conforme o resultado de novas perícias.
“Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual”, explicou.
Íntegra da nota do advogado de Kathellen e Igor Gustavo
A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada.
Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência.
Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações.
Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.
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Fonte: G1 Tocantins
