Ana Castela na gravação do álbum ‘Herança boiadeira – Rodeio’ na 70ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos
Reprodução / Instagram Ana Castela
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Herança boiadeira – Rodeio
Artista: Ana Castela
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Revelada em 2021 e projetada no ano seguinte com o estouro de “Pipoco” (2022), música que deu breve sopro de renovação no universo sertanejo com toques de funk e dance music, Ana Castela logo correu para pegar um lugar no passado desse gênero de origem caipira ao mesmo tempo em que sedimentou as bases do agro pop dos anos 2020 com álbuns como “Boiadeira internacional” (2024) e “Let’s go rodeo” (2005), no qual flertou com o country pop e contemporâneo dos Estados Unidos.
O primeiro movimento da artista sul mato-grossense rumo às raízes foi feito em abril de 2024 com a gravação do álbum ao vivo “Herança boiadeira”, lançado em setembro daquele ano com repertório vintage e convidados como Trio Parada Dura e a dupla Rionegro & Solimões.
Apresentado na noite de quinta-feira, 26 de fevereiro, o álbum audiovisual “Herança boiadeira – Rodeio” (2026) é a sequência do disco de 2024 e consolida o movimento de Ana Castela em direção a uma nostalgia sertaneja que parece bater forte no coração acelerado da jovem cantora e compositora de 22 anos, criada em município do interior do estado de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai, país das guarânias que cruzaram as fronteiras do Brasil e se tornaram gênero musical recorrente no universo sertanejo.
Não por acaso, uma das músicas inéditas inseridas no repertório de sucessos sertanejos se chama “Saudade é mato” (Diego de Souza, Leo Souzza e Mateus Félix, 2026).
Registro de show feito em clima de arena, a gravação ao vivo do álbum “Herança boiadeira – Rodeio” aconteceu em 28 de agosto de 2025 no segundo dos dois shows apresentados por Ana Castela na programação da 70ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, da qual a artista foi a embaixadora.
Ana Castela faz ‘Franguinho na panela’ com a dupla Lourenço & Lourival
Divulgação
No todo, o álbum é muito bom. Dona de voz grave e firme, Ana se confirma boa cantora ao interpretar modões e tradições da música sertaneja ao lado de convidados como a cantora e compositora Roberta Miranda – com quem revive “Vá com Deus” (1987), hit do cancioneiro autoral de Roberta – e a dupla Lourenço & Lourival, com quem fez Ana faz um gostoso “Franguinho na panela” (Moacyr dos Santos e José Plinio Transferetti, o Paraíso), tema lançado em 1999 pela dupla Craveiro & Cravinho, mas propagada de fato no início dos anos 2000 na gravação feita por Lourenço & Lourival em 2002.
Se faltou um pouco mais de fervor na abordagem da canção “Romaria” (Renato Teixeira, 1977) em duo com Sérgio Reis, apesar da pregação calorosa feita pelo locutor Cuibano Lima na introdução do número, sobrou emoção no canto de “Hoje eu lembrei de você” (Giovani Avelar, Leo Souzza e Mateus Félix, 2026), música entoada por Ana Castela com os avós no palco ao lado dela.
Se chega a ser óbvia ao receber Zezé Di Camargo & Luciano para turbinar o canto do medley que agrega dois sucessos da dupla, “Você vai ver” (Elias Muniz e Carlos Colla, 1993) e “No dia que eu saí de casa” (Joel Marques, 1991), Ana Castela surpreende ao trazer Sula Miranda à cena. Conhecida no universo sertanejo pelo epíteto de Rainha dos caminhoneiros, Sula divide “Rédeas do possante” (Antonio Luiz e Jotha Luiz, 1991) com a anfitriã.
Enfim, ao mesmo tempo em que pede a benção a veteranos como Teodoro & Sampaio ao reafirmar a herança boiadeira, Ana Castela dá voz aos clássicos sertanejos sem abrir mão da estética visual pop country dos anos 2020 e consegue o intento de transitar com naturalidade entre presente e passado.
Ao desencavar raízes de um som outrora caipira, Ana Castela se faz presente na cena atual e já garante um lugar no passado da música sertaneja.
Capa do álbum ‘Herança boiadeira – Rodeio’, de Ana Castela
Divulgação
Fonte: G1 Entretenimento
