Claudia Savaget, cantora de voz grave e álbuns refinados, morre aos 78 anos

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Claudia Savaget (1948 – 2026) – vista em ilustração da capa do álbum ‘Caminhando’ (2004) – deixa cinco álbuns ao morrer aos 78 anos
Ilustração de Mello Menezes / 2004
♫ OBITUÁRIO
♬ A voz grave de Claudia Savaget evocava o registro noturno da antecessora Nora Ney (1922 – 2003) e por vezes lembrava até o timbre de outra grande cantora, Nana Caymmi (1931 – 2025), como na gravação da tristonha modinha “Até pensei” (Chico Buarque, 1968) registrada no derradeiro álbum de Savaget, “Caminhando”, lançado em 2004 com capa que expunha a artista em ilustração de Mello Menezes.
Contudo, evocações à parte, Claudia Savaget Fiani (1º de julho de 1948 – 13 de julho de 2026) imprimiu a própria assinatura vocal e o próprio timbre no universo da MPB.
Nascida em Petropólis (RJ), cidade onde iniciou carreira cantando na boate Clube 85, a cantora fluminense Claudia Savaget morreu às 17h de ontem, segunda-feira, 13 de julho, de doença não revelada pelo marido da artista, o violonista Luiz Otávio Braga, no comunicado publicado nas redes sociais.
Claudia Savaget sai de cena aos 78 anos e deixa cinco refinados álbuns – lançados ao longo de 30 anos em período que foi de 1974 a 2004 – em discografia pautada pela elegância do canto grave e pela classe na escolha do repertório.
O bom gosto do repertório da cantora ficou evidente logo no primeiro álbum, “Impacto”, lançado de forma independente em 1974 com arte gráfica que sugeria na capa o título “ImPacto” e uma tracklist que incluía músicas de Chico Buarque, Edu Lobo e Torquato Neto (1944 – 1972).
O segundo, “Samambaias”, foi editado em 1978 com mais músicas de Chico Buarque (compositor recorrente na discografia da intérprete), uma canção de Dorival Caymmi (1914 – 2008) e faixa-título assinada por Maurício Tapajós (1943 – 1995) e Hermínio Bello de Carvalho. Detalhe: a gravação da canção “Maninha” (Chico Buarque, 1977) foi feita por Claudia em homenagem à irmã, presa durante a ditadura.
Na sequência do álbum “Samambaias”, a cantora lançou no ano seguinte “Mordida ou beijo” (1979), álbum com título extraído da letra de “Sofrer” (1978), parceria então recente de Paulinho da Viola com José Carlos Capinan.
No quarto álbum, batizado com o nome da artista e lançado em 1985, Claudia Savaget deu voz a mais uma canção de Chico Buarque (“Eu te amo”, parceria com Antonio Carlos Jobim, de 1980) e registrou música de Cartola (1908 – 1980), “O que é feito de você” (1977).
Consta que Cartola adorava a voz de Claudia e fazia elogios públicos à cantora na década de 1970. Só que o tempo passou e, a partir dos anos 1980, o mercado da música passou a não gostar muito de cantoras de MPB com voz e personalidade próprias. Desencantada com a indústria, Claudia Savaget praticamente se retirou de cena até ensaiar uma volta com o já supracitado álbum “Caminhando”, editado em 2004 já na era do CD.
Esses cinco coerentes álbuns são o legado (para poucos e bons) do canto noturno de Claudia Savaget.

Fonte: G1 Entretenimento