Grávidas com trombofilia gestacional denunciam falta de medicamento na rede pública: ‘Vivendo pela sorte’

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Remédio precisa ser aplicado todos os dias para assegurar a vida da mãe e do bebê. Algumas mulheres estão dependendo de doações para manter o tratamento. Gestantes denunciam falta de medicamento na rede pública de saúde
Gestantes que sofrem de trombofilia gestacional têm vivido momentos de pressão emocional por medo de não conseguir manter a gravidez até o fim. É que o medicamento utilizado no tratamento está em falta na rede pública de saúde do Tocantins. O uso precisa ser diário, caso contrário tanto a mãe como o bebê correm risco de morrer.
A recepcionista Silma Soares é de Araguaína, no norte do Tocantins, e está com 25 semanas de gravidez. Ela fez 140 aplicações de enoxaparina sódica até agora e sabe que não pode parar.
“Essas aqui são as que eu ainda tenho, apenas cinco. Como falei a gente ligou lá hoje e não chegou essa medicação, provavelmente só na outra semana. Tem duas semanas que não vem, que o governo não envia essa medicação. Há um medo, uma preocupação porque como é que a gente vai fazer? Não pode ficar sem tomar essa medicação”, disse a Silma Soares.
A situação é a mesma em todo estado. Em Porto Nacional, por exemplo, a estudante de psicologia Bruna de Oliveira tem contado com doações para manter a gestação de 4 meses.
“Tem pessoas, por exemplo, que já são mães, ganharam bebê, e tem três, quatro [caixas] e assim eu estou vivendo, pela sorte porque nem comprar a gente não acha aqui em Porto, não tem em nenhuma farmácia”, disse.
Mulher mostra ampolas de remédio que utilizou até este momento da gestação
Reprodução/TV Anhanguera
O problema se repete também em Palmas. As doações também têm sido o recurso de uma mulher que está no sétimo mês de gravidez e pediu para não ser identificada. A trombofilia já causou a perda de quatro bebês e ela vive uma angústia diária com medo de interromper o tratamento.
“[o sentimento] É de impotência mesmo, sem saber o que fazer. Você vai para um lado, vai par ao outro e não tem o que fazer”, contou.
Em Palmas para ter acesso ao medicamento era preciso ir ao Hospital Dona Regina e receber a aplicação. Mas o relato das mães é que durante toda a semana passada o remédio estava em falta. “Essa é a pior parte, saber que é um direito. Nos sentimos impotente de não poder usufruir desse direito. Ninguém faz nada para nos ajudar”, disse.
O remédio tem custo alto: uma caixa com duas ampolas do medicamento genérico custa em torno de R$ 130. Além disso, a aplicação precisa ser diária. O obstetra Ridelson Miranda falou sobre a importância do tratamento.
“[Tem] efeito sobre a própria saúde, como eventos trombóticos, trombose venosa profunda, ou até mesmo o tromboembolismo pulmonar. Por isso a importância de se fazer o acompanhamento pré-natal da maneira correta para se manter o uso regular das medicações anticoagulantes porque são exatamente essas medicações que mantém essas pacientes em segurança”, disse.
O que diz o governo
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES) informou que aguarda a finalização da compra para distribuição do medicamento pelo Ministério da Saúde e vai fornecer às gestantes cadastradas na assistência farmacêutica estadual. Só não disse quando isso vai acontecer.
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Fonte: G1 Tocantins